Desculpa Mãe. Perdoa-me Pai.
Cresci muito depressa. Rapidamente, fortificado pelas bases de outros mundos, clarifiquei ideias, presumi resumos, emprestei olhares. Agora sou outro. A barba apareceu, o cabelo escureceu, o olhar, vidrado no verde, tornou-se carne, viva, castanha, de tom claro, como os teus préstimos benditos Mãe. Agora, com as minhas pernas compridas, chego a alturas que tu já alcanças-te. Tu, no teu sentido apurado, já me tinhas proposto com tapetes vermelhos. Com margaridas, brancas, puras, com toques de amarelo num zumbido suave, como a voz calma do Pai.
No passado, menino dos olhos de muita gente, amava incondicionalmente os mimos, os carinhos, benzidos pela cruz infernal do sonolento e escasso brinquedo.
Mãe, figura imperial da minha vida; Pai, suporte base para os meus sorrisos. Agora sou livre. Metaforicamente espelhado numa pomba branca, quero voar noutros planaltos, verdejantes, é certo, mas com intuitos e cheiros despregados da musicalidade citadina.
Afinal quem sou eu? Sou filho, amado e desejado, sorridente e alegre, amante e calculista, estratega e contemplativo. Sou eu mesmo. Eu. E só eu. Feliz. Contente.
Não me forquem...Deduzo inteligências mais cruéis. Enfim, são gentes com terços na mão que proliferam línguas e maldizeres estupidamente aceites por outrem, branco, com oiros e líquidos vermelhos na mão.
Sou gente. Continuo a ser gente.
Um beijinho mamã. Aquele abraço papá.
PA
É estrondosamente rico, fortuitamente ministrado pelo sabor da cultura indígena, popular, cheia de palavrões corriqueiro...
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